Morar no exterior: lado B

Uma busca rápida pela Internet retorna inúmeros artigos sobre a experiência de morar no exterior, inclusive isso já foi abordado aqui.  Os temas variam. São dicas para se adaptar rápido, lidar com a saudade ou tirar o melhor proveito dessa experiência, mas sempre com o foco em quem parte. No entanto, pouco se fala das pessoas que vivem a experiência de ver um amigo ou um familiar partir para outras terras.

Este guest post revela as impressões de morar no exterior vistas pela ótica de alguém que ficou. Ele foi escrito por quem viveu (e ainda vive) a experiência de ter alguém no exterior. A autora convidada é uma pessoa muito especial e quem tem autoridade nesse assunto: Mamy, minha mãe, que atende também pelo nome de Celia.

Palavras de mãe 

passaporte

Cortesia da imagem: [emptyglass] FreeDigitalPhotos.net

“Quando sei que algum parente ou amigo vai sair do Brasil para morar no exterior sempre me questiono:

– Será que ele sabe a barra que vai enfrentar?
– Será que ele percebeu que sair da “zona de conforto” é um desafio e tanto?
– E a língua? (Este é para mim o maior desafio de todos!)
 Enfim penso em tudo isso.
Há dez anos passei por essa experiência, quando minha filha decidiu ir morar na Alemanha. Foi aí que senti que o cordão umbilical tinha sido cortado de verdade. Converso com muitas famílias que passam por essa situação e os sentimentos são os mesmos: a saudade, a preocupação, o medo e a distância.
Confesso que demorei para me acostumar com essa nova situação. No início telefonava várias vezes na semana (ainda não havia me rendido aos encantos da internet). Era muito importante para mim ouvir a voz porque através dela eu conseguia perceber se estava tudo bem de verdade! Coisa de mãe, sabe?
 
Sei que em datas especiais, como Natal, Ano Novo e aniversários, por exemplo, a ausência de nossos amores é enorme! O primeiro Natal sem a presença dela foi horrível. Tive que disfarçar um bocado as lágrimas que teimavam em rolar, afinal estava com outros familiares igualmente importantes e amados. A questão é que estava faltando alguém…
Com o passar dos anos, a gente vai se acostumando. Depois,  começamos a mudar nosso jeito de encarar essa situação. Fui ficando mais tranquila porque sei que ela fez amizades maravilhosas (algumas já tive até oportunidade de conhecer) e que dão apoio quando ela necessita. Penso que as amizades formam um ponto muito importante para quem está no exterior. Os amigos dão suporte quando a família está longe. Não importa se os amigos são brasileiros, alemães ou de qualquer outra nacionalidade. É um grande alívio saber que eles estão presentes, nos momentos bons ou ruins, quando não estamos lá para dar um abraço ou uma palavra de apoio.
 
Em algum momento, passamos a entender melhor e até ver um lado positivo nessa ausência.  Minha filha não está presente, mas está se desenvolvendo em outro lugar desse planeta. Não está perto de mim, mas está indo em busca dos objetivos dela. Ter um filho ou uma filha morando no exterior é um motivo para juntar  dinheiro e ir fazer uma visita.  Afinal, é uma excelente oportunidade para você fazer uma bela viagem ao exterior e ainda matar a saudade. Bom, né?
Creio que hoje seja muito mais fácil do que na época que a comunicação era feita somente por cartas. Temos a internet! Viva o Skype! Viva o celular! Viva o DDI! Viva o Facebook! Viva todas essas tecnologias que nos aproximam, ainda que não fisicamente, mas mesmo assim é muito bom ouvi-los ou vê-los numa telinha!
Para mim, o mais importante mesmo é saber se minha filha está realizada e feliz onde está vivendo, independente do lugar. Se ela está feliz, eu também estou e pronto! É assim que convivo com a distância e a saudade.”

8 Responses to “Morar no exterior: lado B

  • Caramba, ficou muito bom!! como consegui escrever tudo isso!
    Fiquei feliz com a publicação.Bjs Mamy

  • Deixe de bobeira! Até parece que tem dificuldade de escrever. É a inspiração que bateu e esse foi o resultado 🙂
    Beijo grande!

  • D. Célia e Lu, imagino como deve ser difícil para as duas a distância, mas nessas minhas últimas caminhadas, como astróloga e terapeuta holística viajandona, alías como sempre fui… eu aprendi que um dos maiores desafios nossos nessa vida terrena é a lição do desapego. O apego é muitas vezes uma armadilha do ego para manter as situações na tal zona de conforto… Mas as experiências mais importantes da vida, tanto místicas quanto concretas justamente acontecem fora dessa zona. É quando devemos saltar para o desconhecido, desbravar novos caminhos, conhecer pessoas novas, romper as amarras do que é familiar e conhecido. Quando há amor verdadeiro, os vínculos permanecem para sempre, não importa quão distantes estamos. Não preciso dizer nada, mas sempre estarei aqui em qualquer lugar do mundo com essa nossa amizade tão aquariana, livre e sincera. Um beijo para as duas. Kátia

  • Interessante a sua ideia. Realmente nunca havia lido nada dito por quem fica, a outra parte, não menos importante. Parabéns! Trouxe meus fihos para a China adolescentes e já sei que no dia que tiver que voltar para o Brasil, vou sozinha. Eles já disseram que não pretendem voltar. Outro tipo de experiência que cada vez mais vai aumentar a sensação de não pertencer a mais lugar nenhum e a todos os lugares ao mesmo tempo. Beijo.

  • Olá katia. Você está muito zen! Pelas suas palavras percebo que vc, realmente, encontrou seu caminho! Que bom, parabéns! Bjs. Celia Mamy

  • Minha amiga Cristine Marote, sigo seu blog há muito tempo e fiquei muito feliz em saber que você curte o blog da minha filha e que apreciou o que escrevi, tentando passar alguns sentimentos de quem fica do lado de cá. Beijos Celia ( Mamy)

  • Kátia, minha amiga, que bom 'ler' você por aqui 🙂 Adorei o que você escreveu e acho também que o desapego é um desafio enorme!
    Realmente a distância física é chata rsrsrs mas os laços verdadeiros de amor e amizade não se desmancham por causa disso 🙂
    Beijo grande!

  • Christine, se isso realmente acontecer, será um tipo de experiência muito diferente. E isso não será só pelo fato da sensação de não pertencer a lugar nenhum e a todos ao mesmo tempo, como também por você estar no papel de mãe…
    Beijo grande!

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