So klappt das nie

“Assim não vai dar certo nunca.” É com essa frase retirada da canção ‘Aurelie’, do grupo Wir sind Helden, que tem início a série sobre amor. No final do artigo tem o vídeo e a letra, mas vou resumir logo o tema da canção.
Aurelie é uma francesa muito charmosa. Com seu sotaque e sua beleza, poderia ter qualquer aos seus pés. Porém, ela não arruma ninguém e se pergunta o que há de errado. O problema é que Aurelie não entende e interpreta errado o jeito dos alemães paquerarem…
Acho essa música muito boa para falar de diferenças culturais. Afinal, elas também existem no campo do amor.

‘Die Deutschen flirten sehr subtil’

Não espere por assovios nem coisas do tipo: ‘gostosa!’. Nem passando em frente a uma obra. Sabe aquela historinha que contam no Brasil que mulher com a auto-estima em baixa, coloca uma roupinha sensual e passa por uma obra para levantar a moral? Temo que aqui ela ficaria mais deprimida ainda! Abordagem assim no meio da rua é coisa difícil… Você não ouve um pio! Chega a pensar que é invisível.

Não espere também elogios exagerados, especialmente em público e alto. Cantadas descaradas também não. É tudo mais contido, mais discreto, mais sutil… tão sutil, tão sutil que você nem percebe.

Imagine a situação: eu interessada num ser. Este ser não estava ‘captando’ minha mensagem. Muito tristinha, eu retirei meu time de campo e parti para outra. Ruim: quase 1 ano mais tarde descobri que o ser também estava interessado em mim! Pior: ele fez questão de vir me contar, acrescentou que ficou apaixonado e sofreu por mim (como assim?). Fim do mundo: como eu não estava interessada, né? (quem foi que falou isso?), ele tratou de se curar e agora estava noivo de outra. Ah, faça-me o favor! Desnecessária essa discrição toda!

Então como é?

Cada pessoa é única, então fica muito difícil afirmar uma coisa que se encaixe para todos. Porém, algumas atitudes e situações costumam indicar interesse.

1 – A pessoa toca em você.
Conversamos com as pessoas no Brasil usando mãos e braços como co-adjuvantes: uma cutucada, um tapinha na perna (se está sentado), uma segurada no braço e por aí vai. Tudo muito normal, né? Mas aqui não. Então, você acabou de conhecer sua paquera, o papo tá rolando entre vocês e aí a pessoa toca em você… e de novo… e mais uma vez. Sei não, viu? Mas isso cheira muito mais que só calor humano e simples simpatia.

2 – Isso é papo para flerte?
Sua paquera se aproximou e vocês se conheceram. A pessoa é um encanto, tá rolando um clima, mas aí a pessoa começa a conversar sobre política, esporte, vegetarianismo, crenças, movimento de liberalização disso ou daquilo, entre outros. Não desanime, isso pode indicar que a pessoa sentiu confiança (o que é bom) em abordar um assunto polêmico com você. O lado ruim é que se a pessoa achar que as ideias que vocês dois têm do mundo são divergentes demais, pode babar tudo!

3 – Mas que convite sem graça!
Tudo rolando bem e na hora de se despedir você recebe um convite para ir no dia seguinte a um campeonato de futebol de rua de crianças refugiadas. Ou quem sabe na passeata contra o uso de animais em testes de laboratórios. Não está vendo romantismo? Mas ele está bem aí! A pessoa quer compartilhar com você uma coisa que ela curte ou algo que ela está super a fim de fazer… e gostaria de ter você junto!

‘Mas esse povo então não paquera nem namora!’ Vai nessa! Aí é que você se engana, mas isso já é outra história que eu conto amanhã.

Aurélie

Aurélies Akzent ist ohne Frage sehr charmant
Auch wenn sie schweigt wird sie als wunderbar erkannt
Sie brauch mit Reizen nicht zu geizen
Denn ihr Haar ist Meer und Weizen
Noch mit Glatze fräß ihr jeder aus der Hand

Doch Aurélie kapiert das nie
Jeden Abend fragt sie sich
Wann nur verliebt sich wer in mich

Aurélie so klappt das nie
Du erwartest viel zu viel
Die Deutschen flirten sehr subtil

Aurélie so klappt das nie
Du erwartest viel zu viel
Die Deutschen flirten sehr subtil

Aurélie die Männer mögen dich hier sehr
Schau auf der Straße schaut dir jeder hinterher
Doch du merkst nichts weil sie nicht pfeiffen
Und pfeiffst du selbst die Flucht ergreifen
Du musst wissen hier ist weniger oft mehr

Ach Aurelie in Deutschland braucht die Liebe Zeit
Hier ist man nach Tagen erst zum ersten Schritt bereit
Die nächsten Wochen wird gesprochen
Sich auf’s Gründlichste berochen
Und erst dann trifft man sich irgendwo zu zweit

Aurélie so klappt das nie
Du erwartest viel zu viel
Die Deutschen flirten sehr subtil

Aurelie so einfach ist das eben nicht
Hier haben andre Worte ein ganz anderes Gewicht
All die Jungs zu deinen Füßen wolln sie küssen auch die Süssen
Aber du merkst das nicht
Weil er dabei von Fussball spricht

Ach Aurelie du sagst ich solle dir erklärn
Wie in aller Welt sich die Deutschen dann vermehren
Wenn die Blumen und die Bienen in Berlin nichts tun als grienen
Und sich nen Teufel um die Bestäubungsfrage schern

Aurélie so klappt das nie
Du erwartest viel zu viel
Die Deutschen flirten sehr subtil

6 Responses to “So klappt das nie

  • hauhauahauahau eu me vi neste post rs
    Qnd eu morei na Alemanha como au pair, qnd conheci o meu ex foi mais ou menos assim.
    Num show cover, troca de olhares rolando, sorriso daqui e dali e nada do cara vir falar cmg, na hora achei um absurdo, mas como tinha tomado alguns Radler rs anotei meu celular no ticket do bus e entreguei direto na mão dele rs , no dia seguinte ele me mandou msg e marcamos de nos encontrar novamente rs resumindo, ficamos juntos uns 4-5 meses rs
    Mas dp me senti invisível novamente, com exceto qnd estava nas baladas da vida kkkkkkk

    beijos

  • kkk. è isto mesmo. Acho que estamos "mal acostumadas" com o jeitinho brasileiro das cantadas.. E a "roupinha terapêutica" isto as vezes sinto falta aqui, as investidas dos peões da vida levanta a moral de qualquer mulher não é mesmo?
    Sabe o que salva a pátria em dias de baixo-estima, os outros "Ausländer" como turcos, russos, polacos e cia ltda…
    Pelas bandas de cá tem mais Ausländer que Alemão.
    Beijos

  • Oi, Mari!
    Muito legal saber sobre sua experiência de paqueras na Alemanha. Sair desse estágio dos sorrisos e partir para o 'oi' pode demorar séculos rsrsrs
    Beijo grande!

  • Oi, Lola!
    Roupinha terapêutica foi ótima! Rindo muito! Apesar de tudo, eu confesso que não sinto a mínima saudade dessas cantadas no meio da rua, especialmente porque elas eram agressivas e muito obscenas, às vezes até com gestos! Desnecessário!
    Realmente as outras nacionalidades que povoam a Alemanha são menos reservadas nas cantadas, mas ainda assim não são cantadas de baixo e baixíssimo nível 😉
    Beijo grande!

  • Nossa, adorei esse post!! Vou prestar mais atenção na vida por aqui 😉 kkkkkk bjs

  • Oi, Aline!
    Preste mesmo atenção para você não passar pelo que passei rsrsrs
    Beijo!

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