Cabeça fria, mas nem tanto

No último artigo da série amor foi falado sobre a individualidade no relacionamento. Tirando como exemplo alguns dizeres populares para falar do ser amado, tais como ‘minha cara-metade’ ou ‘a metade da laranja’, percebe-se o quanto a questão da individualidade deve causar arrepios em algumas pessoas.

Cara-metade

A crença sugerida por esses dizeres, da qual eu nunca compartilhei e continuo não compartilhando, implica que as pessoas são incompletas até encontrarem a ‘outra metade’. Ah, tá! Fico imaginando então aquele cantor famoso que tem a música da metade da laranja… Ele já está na sexta ou sétima metade. Acho interessante esse novo conceito de metade adotado por ele, mas deixemos isso de lado.
Acredito em pessoas completas. Elas se encontram e decidem ter, a partir daquele ponto, experiências de vida em comum. Isso não significa que tudo que existia antes era ruim, feio, infeliz, incompleto e sei lá mais o que. É jogar toda a responsabilidade de ser feliz em cima do outro!

“Vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não”

Essa música que já foi gravada em ritmo de forró e pagode, tem uma letra engraçada e toca num ponto interessante: o controle, a ditadura, o tomar as rédeas da vida do outro.
Aí a gente acaba vendo aquela amiga que adora dançar sentada em todas as festas porque o namorado/marido não gosta de vê-la dançando em público. Ou então, aquele amigo que parou as aulas particulares de inglês porque a namorada/mulher descobriu que quem leciona é uma mulher. Ou seja, a pessoa não tenta conversar sobre suas inseguranças nem sobre os pontos de atrito. Ela põe tudo no papel de embrulho do ciúme e da possessividade e joga para cima do outro; vê coisas imaginárias e distorce a realidade, tornando a vida a dois um calvário!

Eifersucht

Como os sentimentos humanos não estão presos somente a esta ou àquela nacionalidade, há também alemães com ciúme doentio, controladores e possessivos. Confesso que não vejo um número muito grande desse tipo de pessoa. Mas tem, viu?

Há gente aqui que tem ciúme das roupas do/a parceiro/a, do círculo de amigos dele/a, do/a novo/a colega de trabalho e até do/a vizinho/a. Imagine só, num relacionamento que tive o cara não queria que eu cumprimentasse homem nenhum com beijinho e abraço. Expliquei que na cultura brasileira a gente se cumprimenta dessa forma, seja com amigos ou familiares: um abraço e, dependendo da região, um beijinho de cada lado.  Ele se recusou a aceitar esse costume, fosse na Alemanha, no Brasil ou em qualquer outro lugar.

Mas no momento esses tipos de ciúmes perderam lugar para um outro tipo.

Smartphone

De acordo com uma pesquisa realizada, um a cada quatro alemães tem ciúmes do Smartphone do/a parceiro/a. O aparelho é considerado um Beziehungskiller – destruidor de relacionamento – não por causa do tempo do aparelho em si, mas pelo fato do tempo gasto com ele e da atenção dividida.
Foi dentro do grupo com idade abaixo de 30 anos que o telefone foi apontado por 40% dos entrevistados como o maior desencadeador de ciúmes. Não houve um levantamento do número de casais que se separaram por causa do ciúme de Smartphone, mas independente do tipo, o ciúme é apontado como uma das maiores causas de término de relacionamento entre os alemães.
Fecho este artigo com uma citação do poeta alemão, Friedrich von Schiller:
“Eifersucht ist die abgefeimteste Kupplerin”
(O ciúme é a alcoviteira mais ardilosa)

8 Responses to “Cabeça fria, mas nem tanto

  • E tudo isso é internacional, não vale só pra Alemanha não! Tb tenho pavor da "metade da laranja" – a coisa + sem sentido no mundo! É muita insegurança pro meu gosto!!!

  • Que beleza de artigo. Essa é a minha garota!!!!!!!

  • Realmente é mais fácil para muitos abrir mão das coisas, do que simplesmente dialogar.
    Agora o tal beijinho brasileiro, vamos combinar que eu não consigo perder o hábito e as vezes sou mal interpretada… Ai que vergonha.
    Bj Grd pra ti Lu

  • Oi, Lola
    entre dialogar e abrir mão tem muita coisa aí nesse meio na hora de escolher um ou outro, né?
    O beijinho eu tb não esqueço 🙂 Mal interpretada?Então lê essa historinha aqui, que aconteceu comigo kkkk:
    Beijo grande!

  • Obrigada! Assim fico vermelha 😉
    Bjs

  • Oi, Fernanda!
    Não, de forma alguma quis dizer que isso é só na Alemanha! Como o blog é sobre a Alemanha, então só foquei aqui 😉
    kkkk eu tb tenho pavor da tal "metade da laranja"… até porque laranja não é minha fruta favorita 😛 Podia ser "metade da manga": continuaria muito brega e sem sentido, mas pelo menos mais gostoso pra mim.
    Um grande abraço!

  • Vixi! Eu ia ser o mico em pessoa hahaha *-*
    Onde eu chego já corro para o abraço.
    🙂

  • Maria Claudia,
    com o tempo fui aprendendo a controlar a quantidade de beijinhos e abraços, bem como para quem eles são dirigidos. Era muito mico e situações complicadas para uma só pessoa…kkkkk
    Bj

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