Até que a morte nos separe?

Depois de abordar assuntos tais como paquera, individualidade no relacionamento e ciúmes, a série amor traz hoje casamento e viver junto. Os casais moram juntos antes de casar? Tem festa de noivado? Os alemães casam de papel passado? 

Verliebt, verlobt, verheiratet

Eheringe

‘Golden wedding ring’ cortesia de Danilo Rizzuti/FreeDigitalPhotos.net

Essa sequência – apaixonado, noivo, casado – vem mudando com o passar das décadas e a ordem sendo invertida, com a adição ou corte de etapas.

Viver junto

Reparei que muitos jovens quando já estão namorando há um tempo, logo depois de completar 18 anos aproveitam e vão morar juntos. Alguns adiam esse momento de ‘juntar os trapos’, mas a maioria dos casais passa por esse estágio antes de casar (se é que casam).
Wilde Ehe – o matrimônio sem papel passado – é uma tendência crescente desde meados dos anos 80 e representa hoje a forma de vida em comum preferida de  cerce de 12% dos casais. Muitos não se casam nunca e vivem assim enquanto durar a relação.

Filhos

Com isso aumentou também o número de crianças que nascem fora do casamento oficial. Em muitos casos, a criança é criada somente por uma das partes, o que chamam aqui de Alleinerziehende, ou seja, o pai ou mãe solteiro/a.
Por outro lado, a chegada de um filho é um dos motivos para casar-se oficialmente.

Noivado

O noivado passou a ser apenas uma comunicado sobre a oficialização da união, uma vez que o casal já vive junto. 

Os momentos preferidos para fazer um Heiratsantrag – pedido de casamento – são: data de aniversário, Natal, Ano Novo e claro, dia dos Namorados. Apesar de muitas alemãs tomarem a frente e elas pedirem o homem em casamento, nomalmente, é o homem quem faz o pedido, às vezes até de joelhos, e coloca o anel de noivado na mão da sua futura esposa. 

Casamento

O casamento oficial, de papel passado no cartório tem ficado cada vez mais raro. O número de matrimônios anuais durante a última década não ultrapassou a marca de 400.000.
Enquanto o número de matrimônios cai, a idade que os alemães decidem trocar as alianças aumenta. Casa-se cada vez mais tarde. Em média, os alemães têm 33,2 anos e as alemãs têm 30,3 anos.
Se os alemães estão dando preferência por viver junto sem papel, o que leva então um casal a oficializar a união. Os motivos apontados são:
– amor: muitos afirmam que a existência de um papel fortelece a relação.
– financeiro: casais têm mais vantagens na declaração de imposto de renda e outras questões financeiras. É de longe a desculpa que eu mais ouço.
– burocracia: uma união oficializada facilita em alguns casos, com por exemplo, a permanência do/a parceiro/a estrangeiro aqui.
– filhos: dar à criança a chance de viver com pai e mãe juntos pesa na hora de decidir oficializar ou não a relação.

Pulando a cerca

Muito se fala da fidelidade dos alemães e aqui mesmo foi falado sobre o papel importante da confiança nas relações. No entanto, seria ilusório achar que não há aquela pulada de cerca – Seitensprung.
 
Registra-se um aumento no número de pessoas que buscam um parceiro fora do casamento, com ou sem papel passado. Numa pesquisa, os homens e as mulheres que pulam a cerca aqui afirmaram amar seus/suas parceiros/as, mas a vida sexual monótona e/ou insatisfatória levou à traição.

Divórcio

Um a cada três casamentos na Alemanha termina em divórcio. Permanecem casados a até a morte de um dos parceiros dois terços dos casais.
Diferente do que talvez possa se imaginar, não é a traição o principal motivo apontado para dar entrada no divórcio. Antes disso vem: os caminhos que foram se separando, a falta de equilíbrio entre dar e receber na relação e as diferentes necessidades de proximidade e de individualidade.
Não esqueça: amanhã é dia dos namorados!

2 Responses to “Até que a morte nos separe?

  • Nossa Lu, só agora pude ler todos os posts da série. Ficou muito bom! Você está de parabéns!
    Muita gente tem a ideia que os alemães são certinhos ao extremo, mas o que eles são mesmo é gente como a gente. Existe traição, existe o ficar e muitas outras coisas mais. Só morando aqui pra concluir isso. Adorei a série, muitos detalhes ainda desconhecidos por mim que você abordou! 🙂
    bjão,
    Ana

  • Fico muito feliz que tenha lido e gostado, Ana!
    Pois é, concordo com você: gente é gente, aqui e em qualquer outro lugar. Acho que o que muda é como as necessidades de qualquer ser humano é vista e trabalha nos diferentes grupos 🙂
    Beijo grande!

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