7 dicas para quem quer morar no exterior

Tempo, tempo, tempo… Não volta atrás, não faz pausa para o intervalo, não espera nada nem ninguém. Segue sempre em frente. Às vezes parece que passa rápido; outras, parece que se arrasta. E assim ele vai…

Em dezembro completei 12 invernos alemães e em janeiro, 10 anos de Berlin! Eu sei que é super clichê, mas parece que foi ontem que cheguei com a vida em duas malas quase estourando com o excesso de peso. 
Lembro que quando ouvia alguém dizer que já estava aqui há 10 ou mais anos, eu pensava: “Caramba! É uma vida, né?” E quer saber? É uma vida mesmo! Hoje, muita gente recém-chegada faz uma cara quando sabe do tempo que estou por aqui – imagino que seja a mesma que eu fazia. Na semana que completei uma década em Berlin, tive a oportunidade de bater papo com algumas pessoas que chegaram há pouco tempo à cidade e aí é certo rolar a pergunta: como você consegue viver tanto tempo longe do seu país?
Decidi, então, reunir alguns pontos que considero importantes para quem pensa em viver no exterior ou acabou de chegar num novo país e precisa lidar com a distância, com a falta, com o sentir-se dividido. Esses pontos misturam dicas que recebi logo que cheguei aqui, minhas observações e também experiência própria.
1 – Viva bem e em paz com a escolha que você fez, ou seja, mudar de país. Parece óbvio? Mas não é! Bem, eu poderia quase escrever um livro somente sobre esse ponto, mas não vou me alongar demais. Creio que os próximos pontos vão confirmar e esclarecer bem isso aqui.
2 – Não fique gastando sua energia com as opções que você não escolheu. A cada segundo, a vida toda, estamos fazendo escolhas: o que comer, onde ir, com quem ficar, que carreira seguir, entre tantas outras. Cada escolha abre a porta para uma determinada sequência de eventos e, a não ser que você tenha uma bola de cristal, não dá para afirmar o que teria acontecido caso a escolha tivesse sido diferente. Ao pensar o tempo inteiro naquilo que não foi escolhido, você passa então a viver num vale de lamentações no subjuntivo e deixa o presente passar sem ser notado.
3 – Sua vida segue em frente num novo lugar, mas também de todas as outras pessoas que você deixou no seu país. Vai ter gente nascendo e gente morrendo, vai ter gente casando e se separando; vai ter gente envelhecendo e gente crescendo. Bom ou ruim, você viver tudo isso à distância. Porém, se você tivesse ficado, não alteraria os fatos. Vai nascer quem tiver de nascer, vai morrer quem tiver de morrer… Cada vida segue seu curso único, esteja você por perto ou não.
4 – Não se concentre naquilo que está perdendo por não estar lá, pense no que está ganhando por estar cá. Tanto ficar quanto sair de seu país vai trazer ganhos e perdas; dor e prazer; alegrias e tristezas. Só você pode fazer um balanço e julgar se vale a pena morar ou permanecer em outro país.
5 – Turista é turista; residente é outra história! É legal já ter visitado o país onde você vai morar, mas, sinceramente, isso não é garantia de (quase) nada. Como residente, a vida é, por assim dizer, bem normal: dormir, acordar, comer, trabalhar, estudar, amar, pagar aluguel, pagar impostos, ficar doente, ficar feliz, pegar congestionamento, reclamar dos preços que sobem e por aí vai. Sim, tem gente que acredita estar se mudando para uma filial do paraíso na Terra e aí não segura a onda quando a realidade bate à porta e a magia da novidade se vai…
6 – Cada lugar tem sua energia, seu clima, seus costumes, seus valores, suas tradições. Tem coisas que você vai achar melhor, mais bonito, mais agradável que no seu país de origem, mas outras não! Gostando ou não, é sua nova realidade. Então não adianta, a cada coisinha que não é de seu agrado, começar com a ladainha “mas no meu país não é assim”. Bom saber, mas você não está lá. Viver dividido – corpo num lugar e cabeça em outro – é complicado e traz muito sofrimento. Como falei no ponto 4, faça um balanço. Não está conseguindo lidar com a falta de tanta coisa, então talvez seja momento de repensar sua escolha.
7 – Nem todo mundo busca um novo país para viver, por livre e espontânea vontade. Algumas pessoas são ‘obrigadas’ a mudar por causa de emprego, perseguição política, razões humanitárias, decisão da família ou qualquer outra coisa. Isso faz muita diferença! Bem, se viver fora não é o que você queria, pense que da mesma forma que a situação mudou e levou você para o exterior, tudo pode mudar novamente e levar você de volta ao seu país.
Viver fora do seu país é uma experiência fantástica que pode trazer boas lições para a vida, porém NADA supera viver feliz… seja onde for. É isso que importa.
E encerro aqui com Wir sind Helden, banda que marcou com suas músicas meus primeiros anos aqui em Berlin.

24 Responses to “7 dicas para quem quer morar no exterior

  • Oi Lu, muito bom seu post. Segunda feira passada eu e minha família completamos 8 meses de Deutschland e por vezes fica díficil não me perguntar se foi a opção certa, principalmente diante dificuldades (que estão aos poucos sendo superadas) que os filhos têm com a língua, na escola, nas avaliações. E confesso que mesmo diante destes obstáculos, escolheria vir para cá novamente.
    É isso que você escreveu, a vida na Europa ou seja lá onde for é normal…acordar, ir à escola, trabalhar, pagar as contas e assim por diante.
    Este ano até o inverno colaborou conosco. Rssss

  • Obrigada, Fernanda!
    8 meses já? Eu me lembro como se fosse hoje quando vocês ainda estavam na fase dos preparativos… Fico muito feliz de saber que as dificuldades estão sendo superadas. Dificuldades sempre existem; elas só mudam de acordo com o local. Cabe a nós tentar superá-las 🙂
    Bem, o inverno só foi fraquinho aí para suas bandas rsrsrs Na semana passada a sensação térmica bateu fácil 20 graus negativos… Ficou geladinho, viu?
    Beijos

  • Lu, noch mal hallo. Habe ich vergessen um dir zu gratulieren. Zwolf Jahren sind doch ein Leben.
    Tschüss,
    Fernanda

  • Danke, Fernanda 🙂

  • Muito Legal! Eu estou há 18 meses e estou indo embora para outro países por motivos amorosos.. mesmo assim, nao estou indo para o Brasil, o que pra mim vale seu post tambem. Parabéns!

  • Obrigada, RDM!
    Ah, o amor! Esse daí tem o poder mesmo de mudar os rumos…
    Acho que o post pode valer para qualquer um que pense em morar ou já esteja morando no exterior.
    Um grande abraço e boa sorte no novo país!

  • Poiseh, por isso que essa decisão deve ser mt bem pensada antes de ser realizada. No caso ainda estou no Brasil e em 6 meses devo me mudar para a terra da batata, espero estar tomando a decisao certa.
    Muito bom esse seu post

    bjos

  • Sim, Mari! Já vi muita gente achando um deslumbramento ir morar no exterior e depois não aguentar a realidade, o dia-a-dia. Nem tudo é 100% ruim e nem 100% bom, acho que nossa atitude influi muito como encarar esses dois lados.
    É em julho/agosto que você vem? Seja bem-vinda desde já! Confie na sua decisão 🙂
    Bjs

  • Lu minha querida, que texto legal. Vc pode juntar todos eles ( do cerveja e salsicha) e fazer um livro, que tal? Vou vibrar nessa possibilidade.Bjs Mamy

  • Mamy,
    muito bom ler seu comentário pro aqui <3
    É… pode ser, né? São tantas possibilidades nesta vida 😉
    Beijo grande no coração!

  • Muito legal! Parabens pelo post! Quem esta fora, sabe bem o quanto isso eh verdade.

  • Oi, Anônimo
    Obrigada. Bom saber que existe identificação com o que foi exposto no texto 🙂
    Um grande abraço e volte sempre!

  • Boa tarde Lu Lou. Meu nome é Giordany, sou gaúcho e atualmente moro no sertão baiano. Eu e meu irmão, que mora em Porto Alegre, decidimos tentar a vida no exterior. Ele tem 25 anos e eu 28, ambos turismólogos. Não temos nenhuma especialização, tampouco muito dinheiro pra não pensar em trabalhar assim que chegarmos. Além do português, nós dois falamos espanhol, mas estamos acompanhando a crise que países portenhos como Portugal e Espanha estão passando no que diz respeito e economia e emprego para os jovens. Por isso pensamos em ir para Alemanha. Qual cidade Alemã você recomenda para aventureiros decididos como nós, e o que devemos fazer assim que chegarmos em solo Alemão, fazer um curso de línguas ou algo profissionalizante? Abraço…

  • Oi, Giordany!

    Primeiramente, muito obrigada pela visita e pelo contato.

    Seria legal se vc pudesse me passar seu e-mail através do formulário de contato, pois sua pergunta rende uma resposta longa 🙂

    Eu aconselho já ir aprendendo alguma coisa do idioma antes mesmo de vir para a Alemanha. Chegando aqui, vocês dão continuidade ao curso. Quanto a emprego cursos profissionalizantes e cidade, acho melhor responder por e-mail.

    Um grande abraço!

  • Boa tarde Lu Lou. Parabéns pelo seu blog, interessante demais, além de muito esclarecedor. Vou passar por aqui meu e-mail, pois não estou conseguindo enviar pelo formulário de contato, trava na mensagem "Enviando…". Segue e-mail: giordany.bem@hotmail.com. Agradeço desde já todas dicas que você possa dar. Grande abraço. Giordany

  • Bom dia Lu Lou, meu nome é Alexsander e sou de curitiba. Gostei muito do seu post..bem detalhado para que todos que tem interesse intenda de forma simples que o caminho pode não ser como imaginam…juntei uma grana e quero tentar tbm a vida como os aventureiros ai de cima, manda o contato pra eu te passar o email, ou whatsap. Algumas outras perguntas que outros gostariam de saber…tirar1° a cidadania ou ir de boa a trabalho…somos bem recebidos aew ja que o Brasil ta levando gol ainda da Alemanha…Agradeço o help..forte abraço no aguardo!!

  • Oi, Alexsander!
    Tudo bem?
    Fico feliz que tenha gostado do post 🙂 Bem, mande seu contato então: cervejaesalsicha@yahoo.com
    Grande abraço!

  • Olá tenho muita vontade de ir para a Europa, é o meu sonho já estive duas vezes a passeio, me identifico muito, cada vez mais me convenço de que é isso que eu quero, não sou casada e nem tenho filhos, tenho minha família aqui no Brasil, mas preciso me arriscar para o meu crescimento pessoal, gostaria se possível que me desse algumas dicas, como posso ir para ficar, já se que existe também o lado difícil, mas tudo na vida tem seu lado difícil, se puder me auxiliar eu agradeço muito. o meu e-mail é bete.no@hotmail.com.

  • Oi, Bete!
    Obrigada pela visita ao blog e pelo comentário 🙂 Concordo com você tudo na vida tem seu lado difícil ou no mínimo incômodo.
    Mando uma mensagem direto para seu e-mail, OK?
    Um grande abraço!

  • Oi Lu adorei o texto, perfeito.
    Tenho certeza que quero ir morar fora, faz 15 anos que tenho essa vontade, que aumentou ha 3 anos quando fui conhecer Portugal. Cada dia que passa fico mais angustiada, se vai dar certo so saberei se tentar…. voce pode dar umas dicas.
    Bjos

  • Oi, Cela!
    Obrigada pela visita 🙂
    Olha, sou sempre a favor de tentar. Acho que nós seres humanos ficamos muito preocupados com o 'dar errado', mas esquecemos que até num caso desses nem tudo foi perdido… sempre aprendemos alguma coisa, mudamos, conhecemos algo novo ou aprendemos a ver de outra perspectiva.
    Acho que essa seja a grande dica ir morar no exterior livre desse pressão de 'dar certo' e 'dar errado'.
    Mande um e-mail, caso tenha alguma pergunta mais específica.
    Um grande abraço!

  • Obrigada por responder.

  • Sarah Motoki
    2 anos ago

    Oi Lu, adorei o post. Isso me anima e me da medo rs
    Morei no Japão quando criança, sempre gostei da vida no exterior, agora que consegui juntar uma graninha to querendo sair novamente do Brasil, seria mais fácil voltar ao Japão onde já tenho parentes, mas infelizmente não entro mais. Estou procurando outro lugar, mas estou meio perdida por onde começar, como escolher… Alguma sugestão? rs
    Obrigada

  • Oi, Sarah
    Fico feliz que tenha gostado do post!
    Você pede uma sugestão de como escolher um país para morar.
    Bem, não é nada fácil. Acho que começaria pensando na língua (se já sei ou tenho vontade de aprender); depois os pontos culturais que, mesmo não gostando, seria capaz de aturar; e por fim, o processo para obter permissão para trabalhar e viver legalmente no país.
    Espero ter ajudado.
    Um abraço!

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