O rei da Alemanha

A área ocupada pelo o que hoje conhecemos como Alemanha já teve vários reis e imperadores: Karl, Ludwig, Otto, entre outros. Porém, o rei que será tratado neste artigo não teve coroa nem trono. Ele próprio nunca se intitulou rei, mas imaginou e cantou como seria se um dia fosse rei da Alemanha.

Ralph Christian Möbius

Ralph nasceu em Berlin em 1950. Por causa do trabalho de seu pai, a família mudou-se várias vezes para diferentes cidades na Alemanha.
A partir dos 12 anos, aprendeu a tocar vários instrumentos, entre eles violão, piano e violoncelo. Não terminou a escola, preferindo fazer uma formação profissional como fotógrafo, que foi igualmente abandonada. Grande fã dos Beatles, passou um curto tempo em Liverpool. Aos 16 anos, conheceu R.P.S. Lanrue com quem formou a banda Degalaxis. Entre as músicas em inglês, cantavam também algumas canções próprias em alemão.
Foi nessa época que adotou definitivamente o nome Rio Reiser. Ralph já havia recebido o apelido ‘Rio de Galaxis’ de um excêntrico amigo, como forma de ordenação intergalática juvenil, e desde então usado o nome Rio. Depois acrescentou o ‘sobrenome’ Reiser em referência ao romance Anton Reiser, de Karl Philipp Moritz.

Ton Stein Scherben

Em 1967, Rio Reiser e Lanrue se mudaram para Berlin e foram trabalhar no grupo de teatro de rua Hoffmann’s Comic Teather. Ambos escreviam e tocavam as músicas do grupo teatral.
Em 1970, Reiser e Lanrue, mais Kai Sichtermann e Wolfgang Seidel, formaram banda Ton Stein Scherben. Reiser era o vocalista.
As músicas da banda faziam forte crítica social e tratavam de ocupação de prédios vazios, anarquismo e autoridade e poder de poucos sobre as massas. Títulos como ‘Keine Macht für Niemand‘, ‘Rauch-Haus-Song‘ e ‘Macht kaputt, was euch kaputt macht‘ logo se transformaram em hinos. Cinco anos mais tarde, a banda deixou Berlin e foi para a Frísia, na tentativa se afastar da associação com grupos de esquerda. O aspecto político das letras ficou mais sutil e passou a dividir espaço com temas melancólicos e de relações pessoais.

Sozinho

Jan Plewka singt Rio Reiser

‘Jan Plewka singt Rio Reiser’ em Kesselhaus, Berlin

Ton Stein Scherben se desfez em 1985. Um ano mais tarde, Rio Reiser lançou seu primeiro álbum-solo ‘Rio I‘. Deste álbum, saíram dois grandes sucessos que projetaram ainda mais sua carreira: ‘Junimond‘ e ‘König von Deutschland‘.

Reiser trabalhou como cantor, músico, compositor, produtor e ator. Infelizmente, partiu muito cedo. Faleceu em 20 de agosto de 1996 com apenas 46 anos. Poucas semana após sua morte, foi realizado em Berlin um concerto em sua homenagem: ‘Abschied von Rio‘. Viveu (e ainda vive) um sucesso póstumo, sendo redescoberto pelo grande público.
Suas músicas já foram regravadas várias vezes em versões originais ou não. Reiser virou cult. Em 2003, foi lançado ‘Familienalbum‘ com regravações de seus sucessos feitas por Fettes Brot, Wir sind Helden, Nena, entre outros.

Encontro tardio

Fui conhecer Reiser no curso de alemão. Um certo dia, o professor trabalhou com a música ‘Vier Wände‘ e contou um pouco sobre a carreira do cantor. Comecei, então, a gostar do Rio Reiser. Qual não foi minha surpresa ao saber que ‘Ich bin müde‘ cantada pelo Fettes Brot e ‘Halt dich an deiner Liebe fest‘ pelo Wir sind Helden eram, na verdade, regravações de Reiser.
As circunstâncias impossibilitam que eu veja um concerto de Rio Reiser, mas posso ir a um show só com suas músicas. E foi isso que fiz na semana passada. O cantor Jan Plewka e banda excursionam todo ano pela Alemanha, desde 2005 com o show ‘Jan Plewka singt Rio Reiser‘.
E lá fui eu ver o show numa casa lotada, com um público de diversas idades. Foi muito bom! O público cantou, gritou, dançou e pediu bis várias vezes. Quase 20 anos após sua morte, suas músicas continuam fazendo sucesso e Reiser ainda pode ser chamado de rei da Alemanha.
Conte aí? Tem algum cantor ou banda que você veio a conhecer e gostar tarde demais?

2 Responses to “O rei da Alemanha

  • Poxa que legal Lu!!!!
    Não conhecia nenhum deles…
    Bom, não foi cantor, mas estilo musical que vim curtir depois dos 30… rs
    Já estou com 38…. Enfim foi mulheres cantoras de Jazz, AMO.
    tenho um CD que se chama Musas do Jazz, foi meu primeiro e simplesmente a partir daí virei fã…
    beijinhos

  • Que legal, Ana! Não conheço esse CD, mas pelo nome já perece ser bom 🙂 Quem canta nele? Fiquei curiosa!
    Eu até achava jazz interessante, mas só passei a curtir MESMO depois que a 'aborrescencia' acabou rsrsrsrs
    Bjs,
    Lu

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