Cotovia e Bach com açúcar

Uma das coisas legais quando se visita uma cidade nova (ou um país) é experimentar a comida do local. Acho, no mínimo, um desperdício se enfiar numa rede de fast food da vida e se entupir de batata frita e hamburger.
Aproveito sempre para conhecer alguma comida ou bebida típica do lugar que estou visitando. Claro que tenho minhas reservas. Tem coisas que podem ser o supra-sumo da tradição que eu não como porque não descem pela minha goela! Quiabo é um ótimo exemplo. Mas vamos deixar o quiabo de lado. Vou falar aqui de dois doces alemães que acho difícil não agradarem.

Leipziger Lerche

Por trás dessa deliciosa tortinha tem uma história…
Leipziger Lerche

Leipziger Lerche

Lerche é um pássaro que em português chamamos de cotovia. Além do seu belo canto, a cotovia era apreciada também como iguaria. Desde a Idade Média até o século XIX, o destino do pequeno pássaro era a panela.
A cotovia era caçada em bosques e florestas nos arredores de Leipzig. A ave era, então, recheada com ervas e ovo. Para o recheio não vazar, o peito do pássaro era amarrado com um fio (ou tiras de bacon) e assado. A receita fazia sucesso não só em Leipzig, mas em outras cidades alemãs também. A cotovia era preparada também em forma de patê. A fama da receita atravessou fronteiras e a Leipziger Lerche era exportada para vários países da Europa.
Em 1876, o rei Alberto da Saxônia proibiu a caça da cotovia. Consta que as pessoas sentiram muita falta da cotovia nos pratos. Foi aí que nasceu a receita da tortinha doce.
Um confeiteiro nada bobo aproveitou a oportunidade e criou uma tortinha de massa podre com recheio de marzipã. Por cima do recheio, ele fez uma cruz com a massa, lembrando o fio que amarrava o peito da cotovia e batizou sua criação também com o nome de Leipziger Lerche. De cotovia, só restou mesmo o nome, mas foi o bastante para atrair a atenção das pessoas. A tortinha teve enorme aceitação e tornou-se um símbolo de Leipzig.

Bachtaler

Bachtaler

Bachtaler

No ano 2000, por ocasião dos 250 anos da morte de Johann Sebastian Bach, René Kandler criou o delicioso Bachtaler. O doce tem a forma de uma tortinha. A massa de chocolate é recheada com ganache e coberta com uma massa podre de avelã. Escodido bem no meio da tortinha tem um grão de café: simplesmente divino!
Bachtaler é encontrado nas filiais do Cafe Kandler.
Você gosta de experimentar a culinária do local que está visitando? O que você achou desses doces de Leipzig?

10 Responses to “Cotovia e Bach com açúcar

  • Que interessante! Esses docinhos só tem por aí ou pode-se encontrar em outras partes da Alemanha? Devem ser uma delícia!
    Eu gosto muito de experimentar a culinária de onde vou, acho que a comida faz parte do pacote cultural de quem viaja!
    Beijos

  • Concordo plenamente com você, Ana. A culinária local faz parte da viagem 😉

    Os docinhos são realmente muito gostosos. Talvez você ache, com muita sorte, numa confeitaria ou loja especializada em produtos da Saxônia. Ou então siga pelo caminho mais fácil: faça o pedido via Internet. Sei que o Café Kandler faz entregas de Leipziger Lerche e Bachtaler. Encontrei ainda a Bäckerei Herzog que entrega na Alemanha e países da União Européia.

    Beijos,
    Lu

  • Oi Lu, quando estive na Alemanha, provei várias comidas locais mas cai de amores pelo Flankuchen, uma espécie de pizza bem fininha, coberta com aquele creme que só tem aí cujo nome não vou me lembrar e bacon bem fritinho, ela é servida numa tábua de madeira e come-se com a mão mesmo.
    A primeira vez que comi foi em Freiburg, nos explicaram que é originária da Alsacia. Uma delícia, você já comeu?
    Este foi meu prato preferido entre todos que provei mas olha eu poderia fazer uma listinha considerável…
    Beijos,
    Fernanda

  • Também gosto de Flammkuchen. É uma delícia! Interessante que a primeira vez que provei também estava em Freiburg 🙂

    Apesar de ser típico da região sudoeste da Alemanha, eu encontro fácil Flammkuchen por aqui. Tem até congelado no supermercado rsrsrs Não é a mesma coisa que um fresquinho que acabou de ser assado, mas quebra um galho. Aquele cobertura é feita com um tipo de creme de leite misturado com tempero.

    Fernanda, nem faço listinha de comidas que eu gosto porque, né?, ia acabar virando um livro…

    Beijos,
    Lu

  • Fiquei simplesmente MORRENDO de vontade de provar o segundo doce. Tipo, estou com água na boca, chegando a quase passar mal. Também adoro provar coisas novas quando estou viajando. Já fucei o site e li seu comentário ali pra Ana Paula, acho que vou fazer um pedido!! haha beijos

  • Prove os dois, Marcela 😉 Você não vai se arrepender…
    Na verdade, gosto de provar pratos novos mesmo quando não estou viajando. Gosto de experimentar novas receitas, usar ingredientes diferentes,…
    Depois quero saber o que você achou?
    Bjs,
    Lu

  • Oi Lu, obrigada pela informação! Eu vou agora mesmo no site ver se encomendo alguns! Fiquei com água na boca! 🙂

  • Hummm parece bom viu!
    se sabe que nem vi isso lá…
    Só você mesma né Lu!!
    beijoss

  • Depois você vem contar o que achou dos doces?
    Bjs,
    Lu

  • Não só parece como é bom 🙂
    Ana, talvez você encontre aí em Dresden… Não custa procurar, né? Se não encontrar, o jeito é pedir pela Internet ou fazer uma visitinha à cidade.
    Bjs,
    Lu

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