Um muro no meio do caminho

No passado ele estava lá dividindo a cidade, impedindo a fuga para o outro lado. No famoso discurso pelo aniversário de 750 anos de Berlin, o então presidente americano, Ronald Reagan, deu voz ao desejo de muitos: “Derrube este Muro!” Hoje, quase 24 anos após sua queda, o pedido é que o Muro permaneça onde está.
Pedaços aqui e ali do Muro de Berlin podem ser vistos pela cidade e em exposições. Em nenhuma outra parte, porém, ele é tão representativo quanto o pedaço que restou às margens do rio Spree dividindo os bairros de Friedrichshain e Kreuzberg.

East Side Gallery

Desde a primeira cerca de arame farpado até 1989, o Muro passou por quatro fases e cada uma delas sempre aperfeiçoava a segurança para que ninguém fugisse.
Berlin: Geschichte und Kunst

Cartaz de protesto

O pedaço conhecido como East Side Gallery é o que se chama de Hinterlandmauer, que era o primeiro muro, localizado dentro do território de Berlin Oriental. Logo depois havia uma cerca. Em seguida, vinha uma faixa grande de terra – conhecida como Todesstreifen – com várias barreiras, torres de controle e área para circulação das patrulhas. Só então vinha o Muro – Berliner Mauer – fazendo fronteira com a parte ocidental da cidade.

Nesta parte, o Muro não era tão complexo assim. Existia o primeiro muro (Hinterlandmauer) e uma cerca. O rio Spree, patrulhado dia e noite por lanchas, fazia papel de barreira natural entre as duas partes da cidade. Ninguém podia chegar perto do primeiro Muro. Ele também era vigiado o tempo todo. Não havia pinturas nem pixações.
Meses após a queda do Muro, na primavera de 1990, mais de 100 artistas de 21 países se reuniram e fizeram 106 pinturas ao longo do Muro. Em setembro do mesmo ano, esta parte foi inaugurada como East Side Gallery, maior galeria a céu aberto. Em 1991, foi tombada pelo patrimônio histórico.

Buracos

Sichtbare Geschichte

Pedaço que já retiraram para as novas construções

Na minha primeira visita a Berlin, encontrei um Muro mais contínuo do que no estado que ele hoje se encontra. Pedaço a pedaço, vão surgindo buracos.

O maior ‘ataque’ aconteceu em 2006. O grupo norte-americano de investidores que construiu a O2 Arena  queria uma vista livre até o rio e exigiu que partes do Muro fossem retiradas. Sem dó nem piedade, tiraram 50 metros e colocaram em outro lugar. Em 2008 ficou decidido por votação popular que não seria construído prédios nesta parte da margem do rio. A ideia era criar uma área verde de acesso livre para todos. Apesar dos buracos, em 2009, o Muro passou por trabalhos de restauração e conservação, que também não foram livres de controvérsias. A parte localizada atrás do Muro ganhou áreas gramadas, bancos e caminhos.
Agora, mais partes do Muro serão retiradas para a construção de um prédio de 14 andares com 45 apartamentos de luxo e para o acesso a uma ponte de pedestres que será reconstruída, ligando as duas margens do rio. E não tem fim aí. Já existe um outro projeto de construção que exigirá que mais partes sejam retiradas.
Mauerschutz

Mauerschutz: manifestante ‘protege’ o Muro das marretadas

O quilômetro que forma a East Side Gallery transmite aos visitantes um pouco do foi a divisão. Imagine então o que foi um Muro que se extendia pela cidade toda. É uma sensação de ruptura: a visão direta até o rio e além fica mesmo bloqueada pelo Muro, mas é justamente isso o que marca.

Há quem defenda dizendo que é um pedaço pequeno, mas é assim que ele vai sumindo… até desaparecer por completo. Além do mais, ver um bloco do Muro numa exposição ou fora do seu lugar original jamais vai ter a mesma força da East Side Gallery.

Apesar de ser quase inevitável impedir que a obra prossiga, tem muita gente protestando e lutando para preservar esse pedaço de História. A esperança ainda não morreu: até o dia 18 de março, o desmonte está paralisado.

Você já visitou a East Side Gallery? O que você acha dessa situação de desmonte do Muro?

8 Responses to “Um muro no meio do caminho

  • Lu, que interessante tudo isso. Apesar da história ser triste eu acho muito interessante os detalhes.
    Lu, queria te pedir um help…ok??
    Meus pais irão vir pra cá em maio e queria fazer um passeio com eles a Berlin, mas imagino devido Ivan trabalhar, terá que ser um passeio de final de semana, tipo indo na sexta e voltando no domingo a noite.
    Meu pais gosta muito de história, o que seria interessante conhecermos, pois sei que Berlin (você mesma nos conta sempre) é cheia de coisas pra ver e fazer.
    Por exemplo esta parte do muro, o que mais???
    Tem algum campo de concentração próximo?
    bom aguardo você…
    beijos

  • Que legal que seus pais vêm pra cá!
    Ajudo vocês com prazer, Ana. Aliás, se vocês desejarem um guia, eu me coloco à disposição. Adoro passear por Berlin e mostrar a cidade 😉
    Beijos,
    Lu

  • Nossa eu lembro ate hoje quando eu vi na tv que o muro foi derrubado, esse e um dos acontecimentos mais marcantes da história.
    Bjkoss

  • Também acho, Renata. Pelo menos o mais marcante na segunda metade do século XX, na minha opinião.
    Acho toda essa situação muito triste…
    Bjs,
    Lu

  • Onde é que isso vai parar hein? Nossa, a east side foi a parte mais fantástica que visitei em berlim. Tirei fotos em todas as gravuras por onde passava. Eu espero que os protestos consigam resultados positivos…acho que berlim não seria mais a mesma sem essa parte do muro.
    bjão

  • Ana,
    a East Side Gallery atrai milhares de pessoas: vem gente de várias partes do mundo e que, em maior ou menor grau, gastam seu dinheiro na cidade. Além disso, o local guarda lembranças e parte importante da história. Como se isso não bastasse, esse trecho da margem do rio vai formar uma linha de prédios altíssimos, bloqueando a visão e o acesso livre ao rio para todos!
    Beijos,
    Lu

  • Oi, Ana
    não sei se você sabe, mas existem dois zológicos na cidade. Os dois são muito legais, mas prefiro o Tierpark, que fica no lado leste da cidade. Ele fica numa enorme área verde com partes de floresta natural. De quebra ainda tem o Palácio Friedrichsfelde e seus jardins.
    Quanto ao 'lado histórico', eu mando um e-mail para o comentário não virar um artigo 😉
    Bjs,
    Lu

  • Oi LU!
    Obrigada flor…
    Imagino que iremos numa sexta e voltaremos no domingo, queria levar Valentina no ZOO, pois é um dos maiores do mundo, pensei neste passeio para domingo.
    No sábado queria conhecer o lado histórico, o que você indica???
    beijinhos

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